quarta-feira, 27 de abril de 2011

ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela, só pra ver o sol nascer...


é como se fosse a primeira vez. é como se fosse a primeira vez que eu me mudava. é como se fosse a primeira vez que eu mudava de cidade. é como se fosse a primeira vez que eu dava um novo passo. é como se fosse a primeira vez que eu deixava tudo pra trás. é como se fosse a primeira vez que eu deixava todos pra trás. é como se fosse a primeira vez que eu me via sozinha. é como se fosse a primeira vez que eu precisava reconstruir. é como se fosse a primeira vez que eu procurava uma nova amizade em cada sorriso. é como se fosse a primeira vez que as coisas não faziam sentido. é como se fosse a primeira vez que eu não sabia o que fazer. é como se fosse a primeira vez que eu não sabia pra onde ir. é como se fosse a primeira vez que eu me sentia assim tão sozinha. é como se fosse a primeira vez que eu me sentia tão sozinha estando sozinha em casa. é como se fosse a primeira vez que eu me sentia tão sozinha. é como se fosse a primeira vez que eu me sentia tão sozinha e chorava. é como se fosse a primeira vez. mas não. não era a primeira vez. e pensando assim. pensando que não. pensando que não era a primeira vez. também não é a primeira vez que tudo isso faz sentido.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

se sou só ou se sou mar



que será esse tal de amor, esse tal de namoro, que te deixa cega, que te faz não querer mais nada, que te faz não viver mais nada? eu queria saber.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

e eu dizia ainda é cedo, cedo, cedo, cedo, cedo


Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala. Simples, rápido! E quanta força! Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas. Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim. É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado. Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: "Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!" É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro. É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz. O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim, você entende a mensagem.

a voz do silêncio, martha medeiros.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

olha você e diz que não vive a esconder o coração


hoje é daqueles dias. daqueles dias que o coração tá tão pequeno. tão pequeno. tão pequeno. que ela passa o dia todo o procurando.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

escravizaram assim um pobre coração, é necessário a nova abolição



o pior é que agora. agora. agora que ela está triste. agora. agora que ela está triste por causa dele. agora. agora escrevendo no computador que ela está triste por causa dele. agora. agora ela só pensa. agora. agora ela só pensa em correr. em correr pra cama dele. em correr para os braços dele. em correr pra ele. agora. agora que ela pensa em correr pra ele. e agora. agora ela pensa. ela pensa que não era só como saramago dizia. não. agora. agora ela pensa que sim. que a alegria e a tristeza. ah. alegria e tristeza coexistem. sim. saramago estava certo. agora. agora ela pensa que saramago estava certo. mas agora. agora tem mais. não é só a alegria e a tristeza que coexistem. não. não é. agora. agora. bem agora. agora o amor e o ódio também.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

no palco, na praça, no circo, num banco de jardim



dias. dias. fazia dias que ela tentava não pensar nele. fazia dias que dormia com a televisão ligada. fazia dias que se enganava com a tevê. fazia dias. fazia dias que tomava banho correndo. ah. o banho. porque no banho. no banho é pior. banho é momento que se pensa. é momento que se chora. é o momento. mas não. o banho era rápido. fazia dias que o banho era rápido. fazia dias. dias. dias. muitos dias. fazia dias que ela só escutava música em francês. música em japonês. música africana. talvez música árabe. fazia dias que ela escutava músicas que não entendia. fazia dias que escutava músicas que não lhe diziam nada. e ela imaginava. imaginava que a música falava de tanta coisa. ou imaginava que a música não falava de nada. sim. fazia dias. dias. dias. fazia dias que não pedia pizza. aquela pizza. aquela pizza que por tantos dias comeram juntos. sim fazia dias. fazia dias que decidira. que decidira que era melhor voltar ao regime. o dia todo. o dia todo tudo ia tão bem. fazia dias que o dia quase todo ia bem. fazia dias que ela fazia tudo aquilo. fazia dias que ela fazia tudo pra não pensar nele. fazia dias que ela fazia tudo certo. mas fazia dias. fazia dia que. que toda vez que chegava em casa. ah. toda vez que chegava em casa. toda vez que abria a porta. ah. toda vez. toda vez que fechava a porta. toda vez que fechava a porta ela jogava a chave na mesa. aquele barulho. fazia dias que fazia aquele barulho. aquele barulho. aquele mesmo barulho. fazia dias. fazia dias que ela fazia isso. fazia dias que não conseguia controlar isso. fazia dias que. fazia dias que. que toda vez. toda vez que jogava a chave na mesa. toda vez lembrava dele. lembrava dele falando. lembrava dele rindo. lembrava dele brigando. lembrava dele debochando. lembrava dele questionando. lembrava dele pensando. lembrava dele sonhando. lembrava dele. lembrava dele repetindo: -você é tão delicada jogando essa chave na mesa. todo dia. todo dia. fazia dias. todo dia era igual a todo dia. todo dia. inconscientemente. todo dia. todo dia ele estava lá. todo dia. fazia dias. dias. dias.

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