sábado, 24 de abril de 2010

o tempo é que vai passar, a gente só vai rodar, na mesma ilusão de recomeçar




eu sinto. eu vejo. eu ouço. eu falo. mas antes de tudo. eu sinto. eu sinto uma música. eu sinto uma janela. eu sinto uma foto. eu sinto um papo. eu sinto um banco. eu sinto uma cor. eu sinto uma roupa. eu sinto uma cerveja. eu sinto uma pessoa. eu sinto uma foto. eu sinto uma árvore. eu sinto um livro. eu sinto um papel. eu sinto um café. eu sinto tanta coisa. eu gosto tanto de mim quando eu sinto. eu sinto que eu planto. eu sinto que eu construo. eu sinto que vivo. e quando eu olho ao redor. é estranho. é muito estranho. eu sinto estranho saber que eu sinto e que as pessoas não sabem o que eu sinto. eu sinto estranho sentir que eu sinto e que as pessoas não se importam com o que eu sinto. as pessoas não se importam com o que as outras pessoas sentem. eu me sinto triste. eu sinto como se eu sentisse em vão.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

ah vai, me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém afim de te acompanhar



ela acorda. levanta. faz um café. de minas. fatia uns pedaços de queijo. de minas. arruma a mesa. senta na mesa pseudo-japonesa. percebe que esqueceu alguma coisa. levanta. liga a música. e pensa: eu deveria ter um vinil, como seria bom ter um vinil. e logo abre seu laptop. e escolhe em um segundo uma música entre 2349347 músicas. ela volta pra mesa. ela senta. seus pés tocam a almofada e ela levanta. puxa a almofada e senta sobre ela. coloca o café na xícara. ainda falta alguma coisa. ela lembra. e levanta. vai ao banheiro. pega o livro que está lendo. volta pra mesa e senta. empurra a almofada. está calor e o chão está gelado. ela sorri com essa sensação que vai além do seu pijama. abre o livro. enquanto pensa em qual página parou, toma um gole do café. e pensa: esse café vai esfriar. lê. lê. lê. come uma torrada com uma fatia de requeijão. lê. lê. lê. pensa que o café está morno e derrama mais um pouco na xícara. esquentou. olha ao seu redor. se vê sentada na sua mesa. se vê lendo "estorvo" de chico buarque. se vê ouvindo "encanto da paisagem" de nelson sargento. vê tudo no exato lugar que deixou. ela sorri. um sorrizinho de canto de boca. mas sorri. mas logo esquece o sorriso. e pensa. pensa que tem café, pensa que tem chico, pensa que tem sargento. e pensa o que mais pode querer. é um misto de sorrir e não sorrir. lê mais uma página do livro. toma mais gole de café. come agora só um pedaço de queijo. e timidamente algo vem a sua mente. olha ao seu redor. e pensa. tenta pensar em outra coisa. mas pensa. pensa. pensa. e aceita. já não é mais tão tímido assim. o que falta, o que falta. o que falta. é alguém do outro lado. dizendo: querida, traz o jornal e o chinelo.

****

"Encontrar aberta a cancela do sítio me perturba. Penso nos portões dos condomínios, e por um instante aquela cancela escancarada é mais impenetrável. Sinto que, ao cruzar a cancela, não estarei entrando em algum lugar, mas saindo de todos os outros. Dali avisto todo o vale e seus limites, mas ainda assim é como se o vale cercasse o mundo e eu agora estrasse num lado de fora. Após besta hesitação, percebo que é esse mesmo meu desejo. Piso o chão do sítio e caio fora. Piso o chão do sítio, e para me garantir decido fechar a cancela atrás de mim."
(Estorvo - Chico Buarque, 1991)

terça-feira, 20 de abril de 2010

seu all star azul combina com o meu preto de cano alto


você diz que lembrou de mim quando tocou aquela música. você diz que lembrou de mim quando viu aquele filme. você diz que lembrou de mim quando ouviu alguém dizer "tipo isso". você diz que já sabia que eu ia dizer isso. você fica doido pra me dizer como foi seu show. você fica doido pra dizer como foi o show daquele seu amigo. você fica doido pra me dizer que eu ia adorar o barzinho que foi ontem. você me diz. você me diz. todo dia. de manhã, de tarde e de noite. quantas vezes forem possíveis. você me diz. você diz que eu sou legal. você diz que sou diferente. você diz mil coisas. mas você não diz o que eu quero ouvir. e depois de você (não) dizer isso tudo. será que eu ainda preciso te dizer alguma coisa? posso dizer mil vezes, posso dizer uma única vez. você nunca entenderia.

domingo, 18 de abril de 2010

Mas quem vai dizer tchau?


Tornar o amor real é expulsá-lo de você,
Prá que ele possa ser de alguém...

quinta-feira, 25 de março de 2010

"Alegria e tristeza não são como água e óleo. Elas coexistem."




eu pensava que eu era bipolar. eu pensava que eu vivia de tpm. eu pensava que sei lá, que eu era fraca. eu pensava que eu era uma pessoa mas que queria ser outra. eu pensava que eu era outra pessoa e queria ser uma. mas não. um dia precisaram compartilhar comigo, assim no meio da madrugada, que não, que não era nada disso que eu pensava. mas eu não prestei atenção. e hoje, olhando pra trás, olhando pra hoje, olhando pra minha tpm de cada mês, eu sei que não. eu não sou bipolar. não é tpm. não é fraqueza. não é inconstância. é simplesmente isso. "alegria e tristeza não são como água e óleo. elas coexistem." não era nada daquilo. eu precisava compartilhar. era saramago.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Porto Alegre me dói?









eu não gosto de porto alegre. mas hoje cheguei a uma conclusão. não, eu fingi que cheguei a essa conclusão e depois realmente cheguei a essa conclusão. na verdade não é de porto alegre q eu não gosto. eu não gosto do clima de porto alegre. eu não gosto da chuva, não gosto do calor e não gosto do frio de porto alegre. eu não gosto dos cocôs nas ruas de porto alegre. eu não gosto dos moradores de porto alegre. eu não gosto da pizza de porto alegre. eu não gosto do preço da cerveja de porto alegre.eu não gosto da polar. eu não gosto da localização geográfica de porto alegre. eu não gosto de como me faltam amigos em porto alegre. eu não gosto do samba-rock de porto alegre. eu não gosto do xis de porto alegre. eu não gosto de kleiton e kledir. eu não gosto da quantidade de morador de rua de porto alegre. eu não gosto da ignorância dos moradores de porto alegre - não tô falando dos moradores de rua de porto alegre. eu não gosto do chimarrão de porto alegre - nem de lugar nenhum. eu não gosto da quantidade de gato -animal- que tem em porto alegre. eu não gosto dos homens esnobes e auto suficientes de porto alegre - entendam como quiser, eu não gosto das mulheres fúteis e laranjas de porto alegre. eu não gosto dos salões de beleza de porto alegre. eu não gosto dos usuários de crack de porto alegre. eu não gosto do grêmio nem do internacionl de porto alegre. eu não gosto quando tem grenal em porto alegre. eu não gosto de passar em frente ao zaffari aos domingos em porto alegre. eu não gosto da cor do taxi de porto alegre. eu não gosto do esquema buffet livre de porto alegre. eu não gosto do sagu de porto alegre. eu não gosto do caminhão de lixo que passa de madrugada e me acorda todo dia em porto alegre. não é que eu não goste, mas eu não vejo sentido nos mercadinhos de porto alegre. com certeza eu não gosto de outras coisas de porto alegre.

mas hoje cheguei a conclusão de que os gaúchos realmente gostam disso tudo, ou realmente nunca tiveram a opção de gostar ou não, então gostam. e que não vou me perder mais tempo falando para as pessoas que eu não gosto de porto alegre. já perdi muito tempo em conversas e provavelmente muitas companhias falando sobre isso. quando me perguntarem, vou mandar acessar o blog. então para começar meu projeto não falo mal de porto alegre, vai aí o que eu gosto em porto alegre.

eu gosto do bar Parangolé - e suas rodas de choro, de tango, de mpb, de brasil, de argentina, de uruguai, e tudo que vem junto dele - de porto alegre. eu gosto do roda viva tocando chico buarque no meu copo de cerveja - que não é polar. eu gosto de saber que estou a três quadras do rio guaíba de porto alegre. eu gosto de quando faz sol em porto alegre. eu gosto de quando eu posso ver o por do sol no guaíba em porto alegre. eu gosto de muitas pessoas que não são de porto alegre mas que eu conheci em porto alegre. eu não sei falar de uma pessoa que eu goste e que seja de porto alegre, mas deve ter alguma pessoa que eu goste em porto alegre. eu gosto do centro de porto alegre. eu gosto dos predios antigos de porto alegre. eu gosto da rua da praia com sua igreja maravilhosa, com a casa de cultura, com a praça da alfandega de porto alegre. eu gosto do santander cultural de porto alegre. eu gosto da ver os gaúchos achando o máximo passear na redenção com seus cachorros em um domingo de manhã de sol em porto alegre. eu gosto da UFRGS que fica em porto alegre. eu gosto do meu apartamento de porto alegre. eu gosto da lancheria do parque e do suco de maracujá com laranja de porto alegre. eu gosto do tudo pelo social e da a la minuta de porto alegre. eu gosto da casa de cultura e do mercado público de porto alegre. eu gostava do bar pana-pana quando eu tinha uma certa companhia pra comer sanduiche de carne de panela em porto alegre. eu gosto de toda a cidade baixa de porto alegre. eu gosto das lembranças que tenho da rua da república de porto alegre. eu gosto especialmente do odomodê de porto alegre. eu gosto como o taxi é barato em porto alegre. eu gosto de como tudo me parece perto em porto alegre. eu gosto como tem eventos gratis em porto alegre. eu gosto de como os gauchos valorizam eventos gratis em porto alegre. eu gosto de sair de casa e poder ouvir um tango no centro do centro de porto alegre. eu gosto de nunca ter sido assaltada em porto alegre. eu gosto da carne de porto alegre. eu gosto de como a argentina fica perto de porto alegre. eu gosto das criancinhas falando néan? em porto alegre. eu devo gostar de mais coisas em porto alegre. mas não consigo lembrar.



domingo, 11 de outubro de 2009

Genial...




“O Mundo é um moinho…” O moleiro não é ele, Angenor, nem eu, nem qualquer um de nós, igualmente moídos no eterno girar da roda, trigo ou milho que se deixa pulverizar. Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida. O nobre, o simples, não direi o divino, mas humano Cartola, que se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada." Drummond

Tive Sim
(Cartola)
Tive, sim
Outro grande amor antes do teu
Tive, sim
O que ela sonhava eram os meus sonhos e assim
Íamos vivendo em paz
Nosso lar, em nosso lar sempre houve alegria
Eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou
Tive, sim
Mas comparar com o teu amor seria o fim
Eu vou calar
Pois não pretendo amor te magoar

"Quando for enterrado, quero que Waldemiro toque o bumbo." - Cartola

Homenagem à Cartola*

Só um peito vazio descobre

que o mundo é um moinho.

E quando isso acontece

a alegria vai embora...

E as cordas de aço de um violão

sola baixinho

Uma canção que se chama

Disfarça e Chora.

Eu confesso que

Tive, sim, um amor proibido

Vai, amigo e diz-lhe

O quanto eu tenho sofrido.

Mas tudo se ajustará

Numa grande alvorada.

O Sol Nascerá,

Pouco importa depois

Se estaremos juntos Nós dois

O nosso amor brilhará

Numa noite tão linda

As rosas não falam

Mas podem enfeitar

A grande festa da vinda...

*Nelson Sargento


pois bem. faço como tem que ser feito. me recolho na minha insignificância e não ouso misturar minhas palavras com a do gênio Cartola.

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as coisas estão no mundo só que eu preciso aprender