segunda-feira, 1 de novembro de 2010

e quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração e quem irá dizer que não existe razão


ele disse que não se sente seguro pra isso. ela disse que só se sente segura com isso. sim. era tudo sempre diferente. desde o começo. ele era paulista e corintiano. tá. tudo bem. mas. mas por ironia do destino. ela era mineira e são paulina. porque ela podia ser cruzeirense. porque ela podia ser atleticana. porque se ela não queria ser cruzeirense. porque se ela não queria ser atleticana. ela podia ser flamenguista. ela podia ser botafoguense. ela gosta tanto do hino do botafogo. sim. ela podia ser botafoguense. mas não. ela não era botafoguense. também não era americana. não era gremista. não era. não era. era são paulina. ela era assim, do dia. sim. acordava cedo. resolvia toda sua agenda de manhã. e se orgulhava disso. achava bonito contar para as outras pessoas. contar que ah. saiu. dormiu tarde. mas de manhã. de manhã bem cedinho. já estava cheia de disposição. já tinha resolvido tudo. e não tinha vergonha de dizer. de dizer que se sentisse sono. ah. ela dormia oito horas e só acordava no dia seguinte. ela achava tudo isso lindo. ele era assim, da noite. dormia tarde. resolvia todos os seus compromissos de madrugada. sentava na cadeira. e o relógio rodava. os ponteiros do relógio. ah. esses sim mudavam de lugar. ele não. concentrado. muito concentrado. achava lindo não ter sono naquela hora. e também. também não tinha vergonha de dormir enquanto o mundo funcionava. talvez pensasse. que ah. do outro lado do mundo. do outro lado do mundo era noite. eles eram assim. sempre assim. ele era assim. ele mais velho. um tanto mais velho. e tão moderno. gostava de balada. gostava de boate. gostava de trance. de house. de sei lá o que. ela era assim. ela mais nova. um pouco menina. um pouco mulher. mas nova. e tão antiga. gostava de boteco. aqueles pequenos. aqueles vazios. aqueles silenciosos. ela era assim. estudava economia. mas nem sabia se gostava de economia. estudava desenvolvimento. mas ah. disso ela sabia que gostava. ele era assim. estudava economia. e sabia. ele sabia que gostava de economia. que gostava muito de economia. e que não gostava de desenvolvimento. ele era assim. queria certeza em tudo. queria segurança em tudo. queria dar um passo de cada vez. queria não ter chance de errar. queria calcular. ela era assim. via incerteza em tudo. queria experimentar o inseguro em tudo. queria um salto de cada vez. queria se aventurar. queria ter chance de errar. queria ter chance de acertar. queria tentar. eles eram assim. ele assim. ela assim. ela assim. ele assim. um assim mais diferente do outro. um assim mais longe do outro. um assim que os levava para perto um do outro. um assim que os fazia cada dia mais parecidos com o outro. e sim. assim. bem assim. ele dizia que não se sente seguro pra isso. e assim. bem assim. ela dizia que só se sente segura com isso. e assim. assim eles iam levando. e assim. assim. bem assim.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

hoje a tristeza não é passageira, hoje fiquei com febre a tarde inteira




às vezes parece que a gente tem mil cabeças, que liga uma e desliga outra. às vezes parece que é só uma, e não dá pra desligar. ou será coração? às vezes quando eu tô um pouco triste, tenho uma vontade enorme de escrever, mas agora. agora que eu tô muito triste. agora não.

domingo, 22 de agosto de 2010

preciso não dormir, até se consumar, o tempo da gente.



às vezes. às vezes quando eu tô sonhando. mas é só nas vezes que eu tô sonhando e são coisas ruins. quando são coisas ruins mesmo. eu paro. no sonho. no sonho eu paro e penso. penso que isso é sonho. e debocho. dou uma risadinha. aquela risadinha que me diz que aquilo. ah. aquilo é tão absurdo. é tão absurdo que só pode ser sonho. e é sonho. e eu acordo. mas hoje. hoje eu parei. eu parei e pensei. e pensei e debochei. e debochei e sorri. e sorri e falei. ah. isso? isso é sonho. isso é tão absurdo que é sonho. e tentei abrir os olhos. os olhos que já estavam abertos. e não. dessa vez. dessa única vez. não. dessa vez não era sonho. foi tão estranho. seria melhor. ah. seria muito melhor se. se. se. se por um segundo. ou por dois, não sei. se por esses segundos eu não tivesse pensado que era sonho.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

e só de te ver eu penso em trocar a minha tv


eu me lembro bem. sempre que eu ouvia aquela música. aquilo me tocava. aquilo fazia muito sentido. eu me lembro. sim. eu me lembro bem. a música dizia. é. ela ainda diz. a música ainda diz. ela diz que felicidade. ah. que felicidade não tem fim. mas a tristeza. ah. a tristeza sim. e eu sempre pensei. pensei muito nisso. a verdade. será essa a verdade? eu sempre achei que sim. sei lá. sempre achei que sim. mas agora. agora nesse minuto. talvez nesse segundo. eu penso. eu penso que a felicidade. ah. a felicidade. ela não parece ter fim. e a tristeza. sei lá. sei lá por onde ela anda.

domingo, 27 de junho de 2010

pelas ruas o que se vê, é uma gente que nem se vê


quando eu vi essa música. eu pensei. eu quero ser mãe. essa música, toquinho fez pra sua filha, jade. deu vontade de chorar quando eu ouvi pela primeira vez.


Canção pra Jade

Toquinho


Desde quando eu te vi
Tudo ficou mais lindo:
A rua, a lua, o sol no céu luzindo.
Olhando teu olhar,
Ouvindo a tua voz
Chego a não crer,
A me surpreender, feliz, sorrindo.

Estrela singular
Da luz do amor nascida.
Antieclipse lunar da minha vida.
A cada passo teu
Segue meu coração,
Por entre os móveis,
Calçadas, parques e avenidas.

Viva cada instante, viva cada momento,
Proteja da razão teu sentimento.
Tente ser feliz enquanto
A tristeza estiver distraída.
Conte comigo
A cada segundo dessa vida.

E o tempo vai passar
Ao longo dessa estrada.
Novas estórias lhe serão então contadas.
E você vai crescer,
Sonhar, sorrir, sofrer
Entre vilões, moinhos, dragões e poucas fadas.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

quero falar de uma coisa, adivinha onde ela anda



hoje acordei cheia de saudade. saudade de tudo. saudade de 10 anos atrás. saudade de cinco anos atrás. saudades de um ano atrás. saudade de ontem. e não consigo parar de ouvir essa música.

muitas vezes Pedro você fala. sempre a se queixar da solidão. quem te fez com ferro fez com fogo, Pedro. é pena que você não sabe não. vai pro seu trabalho todo dia. sem saber se é bom ou se é ruim. quando quer chorar vai ao banheiro. Pedro, as coisas não são bem assim. toda vez que eu sinto o paraíso. ou me queimo torto no inferno. eu penso em você meu pobre amigo. que só usa sempre o mesmo terno. Pedro onde cê vai eu também vou. Pedro onde cê vai eu também vou. mas tudo acaba onde começou. tente me ensinar das tuas coisas. que a vida é séria e a guerra é dura. mas, se não puder cale essa boca, Pedro. e deixa eu viver minha loucura. lembro Pedro aqueles velhos dias. quando os dois pensavam sobre o mundo. hoje eu te chamo de careta. e você me chama vagabundo. Pedro onde cê vai eu também vou. Pedro onde cê vai eu também vou. mas, tudo acaba onde começou. todos os caminhos são iguais. o que leva à glória ou a perdição. há tantos caminhos, tantas portas. mas, somente um tem coração. e eu não tenho nada a te dizer. mas, não me critique como eu sou. cada um de nós é um universo, Pedro. onde você vai eu também vou. Pedro onde cê vai eu também vou. Pedro onde cê vai eu também vou. mas tudo acaba onde começou.
(meu amigo Pedro. Raul Seixas)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

que eu não sei medir nem tempo e nem medo


hoje. hoje sim é tpm. mas hoje. assim. de manhã. assim que eu acordei. eu pensei. olhei pra 7 anos atrás. olhei pra aquela menina entrando na universidade. sim. 7 anos atrás. saindo de casa. naquele dia. naquele dia eu não parei pra pensar. não. eu nunca parei pra pensar. pra pensar que nunca mais. nunca mais eu ia voltar pra casa. naquele dia eu só fui. naquele dia eu só fiz. eu só andei pra frente. eu só andei. não. não sei se pra frente. mas eu andei. eu fiz a única coisa que eu sei fazer. e a única coisa que eu sei fazer. é. é fazer sem pensar. e agora. agora estou eu. tentando não pensar. fazendo força pra não pensar. porque se eu penso. ah. se eu penso. eu bem sei. eu bem sei que se eu penso. eu não saio do lugar.

****

vem,
tudo é belo por onde eu passei
e será onde eu passar.

(vem. Cartola e Arthur Oliveira)

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